Dança dos Orixás Jerry D'oxossi

Dança dos Orixás Jerry D'oxossi

quinta-feira, 26 de março de 2015

41-BANHOS RITUALÍSTICOS NA UMBANDA.


Os banhos ritualísticos de uma maneira geral, são rituais, onde utilizamos determinados elementos da natureza, de maneira ordenada e com conhecimento de causa, com o intuito de troca energética entre o indivíduo e a natureza, a fim de fornecer-lhe equilíbrio energético físico, mental e espiritual.  Estes banhos prestam-se para limpar as energias negativas, afastar más influências,  reequilibrar a pessoa, aumentar a capacidade receptiva do médium, através da desobstrução  dos chacras, purificar o corpo para os trabalhos na Umbanda.   Tem grande importância na manutenção do corpo. 
Não somente os médiuns ativos na Umbanda devem tomar determinados banhos, mas todos nós, em geral, podemos usá-los Os banhos de ervas devem ser jogadas dos ombros pra baixo, NUNCA na cabeça, a não ser que seja recomendação de um chefe de terreiro ( entidade chefe de uma casa ou terreiro). 

Temos algumas categorias de banhos:
 a) Banhos de Descarrego
 b) Banhos de Defesa
 c) Banhos de Energização
 d) Banhos de Fixação 

a- Banhos de Descarrego
Esta categoria de banho, conhecido também como banho de descarga ou desimpregnação energética é o mais comum e mais conhecido. Estes banhos servem para livrar o indivíduo de cargas energéticas negativas. Conforme vivemos, vamos passando por vários ambientes, trocamos impressões com todo o tipo de indivíduo e como estamos num planeta atrasado em evolução espiritual, a predominância do mal e de energias negativas são abundantes. Toda esta egrégora formada  por pensamentos e ações, vão criando larvas astrais, miasmas e toda sorte de vírus espirituais que vão se aderindo na aura das pessoas.  
Há dois tipos de banhos de descarrego:

 1-Banho de Sal Grosso: Este é o banho mais comumente utilizado, devido à sua simplicidade e eficiência.   O elemento principal que é o sal grosso,  que misturado com a água forma um excelente agente de limpeza do corpo e da aura. 
O preparo deste banho é bem simples, basta, após um banho normal, banhar-se de uma mistura de um punhado de sal grosso, em água morna ou fria. Este banho é feito do pescoço para baixo.  Após o banho, manter-se molhado por alguns minutos  e enxugar-se sem esfregar a toalha sobre o corpo, apenas secando o excesso de umidade. Algumas pessoas, neste banho, pisam sobre carvão vegetal ou mineral, já que eles absorverão a carga negativa.  Existem pessoas que usam a água do mar, no lugar da água e sal grosso. 


2-Banho de Descarrego com Ervas:- Este banho é mais complexo e menos conhecido do que o de sal grosso. A função deste banho é a mesma que a do sal grosso, só que tem efeito mais duradouro e conseqüências maiores. Quando uma pessoa está ligada a uma obsessão e larvas astrais estão ligadas a ela, faz-se necessário um tratamento mais eficaz. Determinadas ervas, são naturalmente descarregadoras e sacodem energeticamente a aura de uma pessoa, eliminando grande parte das larvas astrais e miasmas. Algumas ervas que são muito boas para este banho: arruda, guiné, espada de São Jorge, aroeira, folhas de fumo, etc.
 
b- Banho de Defesa
Este banho serve de manutenção energética dos chacras, impedindo que eles se impregnem de energias nocivas em determinados rituais. Usamos, quando vamos conhecer um outro terreiro e não sabemos se ele é ou não idôneo, pois, infelizmente, ainda existem aqueles que usam o nome do Umbanda para comercializar a fé alheia. Quando vamos num sítio energético para determinados rituais com ou sem incorporação. As ervas para estes banhos, podem ser aquelas relacionadas ao próprio Orixá regente da pessoa, ou aquelas que uma entidade receitar.

c- Banho de Energização
Após tomarmos um banho de descarrego, é importante que restabeleçam o equilíbrio energético, através de um banho de energização.  É um banho que devemos usar quando vamos participar das giras. Também, podemos usá-lo regularmente, independente se somos ou não médiuns. Um bom e simples banho: pétalas de rosas brancas ou amarelas, alfazema e alecrim.


d- Banho de Fixação
Este banho é usado para trabalhos ritualísticos e fechados ao público, onde se prestará a trabalhos de magia, iniciação ou consagração. Este banho é realizado apenas por quem é médium e irá realizar um trabalho aprofundado, onde tomará contato mais direto com as entidades elevadas. Este banho “abre” todos os chacras e a percepção mediúnica fica aguçadíssima.   As ervas utilizadas para este tipo de banho estão diretamente relacionadas ao Orixá regente do médium e à entidade atuante. São assim receitados apenas por um verdadeiro chefe de terreiro ou médium-magista ou pela própria entidade.

Preparação dos Banhos
 Em todos os banhos, onde se usam as ervas, devemos nos preocupar com alguns detalhes:
Ø  A colheita deve ser feita em fases lunares positivas. (nunca na minguante). (Ao adentrar numa mata para colher ervas ou mesmo num jardim, saudamos sempre Oxossi que é responsável pelas folhas).
Ø  Antes de colhermos as ervas, toquemos levemente a terra, para que descarreguemos nossas mãos de qualquer carga negativa, que é levada para o solo.
Ø  Não utilizar ferramentas metálicas para colher, dê preferência em usar as próprias mãos, já que o metal faz com que diminua o poder energético das ervas.
Ø  Normalmente usamos folhas, flores, frutos, pequenos caules, cascas, sementes e raízes para os banhos, embora dificilmente usemos as raízes de uma planta, pois estaríamos matando-a.
Ø  Colocar as ervas colhidas em sacos plásticos, já que são elementos isolantes, pois até chegarmos em casa, estaremos passando por vários ambientes.
Ø  Lavar as ervas em água limpa e corrente.
Ø  Os banhos ritualísticos devem ser feitos com ervas frescas, isto é, não se demorar muito para usá-las, pois a energia contida nelas, vai se dispersando e perde-se o efeito do banho.
Ø  A quantidade de ervas, que irão compor o banho, são 1 ou 3 ou 5 ou 7 ervas diferentes e afins com o tipo de banho. Por exemplo, num banho de defesa, usamos  três tipos de ervas (guiné, arruda e alecrim).
Ø  Não usar aqueles banhos preparados e vendidos em casas de artigos religiosos, já que normalmente as ervas já estão secas, não se sabe a procedência nem a qualidade das ervas, nem se sabe em que lua foi colhida, além de não ter serventia alguma, é apenas sugestivo o efeito.
Ø  Alguns banhos, são feitos com água fria e as plantas são maceradas com as próprias mãos e só depois, se for o caso, adicionar um pouco de água quente, para suportar a temperatura da água.
Ø  Banhos feitos com água quente devem ser feitos por meio da abafação e não fervimento da água e ervas, isto é, esquenta-se a água, até quase ferver, apague o fogo, deposite as ervas e abafe com uma tampa, mantenha esta imersão por uns 10 minutos antes de usar.
Alguns dizem que a água quente não é eficiente para um banho, mas esquecem que o elemento Fogo, também faz parte dos rituais de Umbanda. A água aquecida “agita” a mistura, liberando a energia das ervas.
Ø  Acender uma vela para o anjo de guarda e manter-se em oração e concentração, já que se está realizando um ritual.
Ø  Os banhos não devem ser feitos nas horas abertas do dia (06 horas, 12 horas ou meio-dia, 18 horas e 24 horas ou meia-noite), pois as horas abertas são horas “livres” onde todo o tipo de energia “corre”. Só realizamos banhos nestas horas, normalmente os descarregos com ervas, quando uma entidade prescrever (normalmente um exu).
Ø  Não se enxugar esfregando a toalha no corpo, apenas, retire o excesso de umidade, já que o esfregar cria cargas elétricas (estática) que podem anular parte ou todo o banho.
Ø  Embora todo o corpo seja banhado, a parte da frente do corpo é que devemos dar maior atenção, já que estão as “portas” dos chacras, além da parte frontal possuir uma maior polaridade positiva, que tem propriedades elétricas de atrair as energias negativas e que são eliminadas com o banho, recebendo carga positiva e aceleradora.
Ø  Após o banho, é importante saber desfazer-se dos restos das ervas. Aquilo que ficou sobre o nosso corpo, nós retiramos e juntamos com o que ficou no chão. Colocamos tudo num saco plástico e despachamos aquilo que é biodegradável, em água corrente. 
Outros Banhos
 Além destes banhos preparados, podemos contar com outros tipos de banhos, que podem ter algum efeito, dependendo da maneira que os encaremos:

Banhos Naturais
São banhos que realizamos em sítios energéticos, onde as energias estão em abundância. Neste caso, não precisamos em nos preocupar em não molhar os chacras superiores (coronário e frontal), localizados na cabeça, é uma ótima chance de naturalmente tratar da “coroa”, claro que se efetuarmos em locais livres da poluição.
Dentre eles podemos destacar:

Banhos de Mar
Ótimos para descarrego e para energização, principalmente sob a vibração de Yemanjá. Podemos ir molhando os chacras à medida que vamos adentrando no mar, pedindo licença para o povo do mar e para Mamãe Yemanjá. No final, podemos dar um bom mergulho de cabeça, imaginando que estamos deixando todas as impurezas espirituais e recarregando os corpos de sutis energias. Ideal se realizado em mar com ondas e sob o sol.

Banhos de Cachoeira
Com a mesma função do banho de mar, só que executado em águas doces. A queda d’água provoca um excelente “choque” em nosso corpo, restituindo as energias, ao mesmo tempo em que limpamos toda a nossa alma. Saudemos, pois Mamãe Oxum e todo povo d’água. Ideal se tomado em cachoeiras localizadas próximas de matas e sob o sol.
 
Banhos de rio e lagoas
Tem também grandes propriedades, desde que não estejam poluídos. Saudemos Nanã Buruquê.



AOS MÉDIUNS EM DESENVOLVIMENTO: somente quem pode indicar banho de COROA (chakra coronário, no alto da cabeça) são os chefes da casa, jamais outros médiuns ou suas entidades podem passar esses banhos para os médiuns em desenvolvimento.

 

40- PONTOS RISCADOS NA UMBANDA. O QUE SÃO ? O QUE É A LEI DA PEMBA?



exemplo de ponto riscado. retirado da internet
 Os homens são cobertos por energias e magnetismo. Essas vibrações são responsáveis pela manifestação da vida na forma que conhecemos no planeta Terra: mineral, vegetal, animal, hominal e astral. As energias etéricas têm polaridades, ativa e passiva, positiva ou negativa, e se cruzam, estando interpenetradas. Dentro das sete linhas vibratórias dos orixás, fazem-se necessários pontos riscados de identificação que reluzem vibratoriamente com forte magnetismo de atração no "lado de cá". As energias manipuladas atraem, absorvem, potencializam e expandem os fluidos movimentados pelos caboclos e pretos velhos. Na verdade, os pontos riscados são como elos identificadores que fazem à interseção do tipo de energia utilizada com a vibração específica da linha vibratória. Para que as forças que constituem esses elos sejam movimentadas especificamente para os trabalhos de Umbanda, é imperioso que haja o acionamento de determinados códigos de acesso, consoante o resultado que se queira alcançar. É um ato litúrgico que envolve a magia das entidades, que aglutinarão etericamente em torno dos traços riscados os fluidos e energias benéficas. Os riscos simbolizam a identidade da linha solicitada, da entidade e do tipo de trabalho exigido, e servem como sinalizadores para as falanges envolvidas nessas demandas mais densas e que exigem grande quantidade de ectoplasma.

(retirado do livro Evolução no Planeta Azul, Norberto Peixoto, pelo espírito Ramatis, Editora do Conhecimento)

PEMBA (espécie de giz):
O que é a chamada "Lei da Pemba"?

VOVÓ MARIA CONGA: - É importante deixar claro aos filhos que a pemba, um tipo de giz especial para utilização ritualística, na verdade não tem nenhuma utilidade prática, podendo ser qualquer tipo de giz. O que se torna fundamental é o conhecimento cabalístico da entidade ou do médium que está realizando os sinais riscados. Esse amontoado de pembas por aí é só para confundir e para alguns incautos fazerem comércio em cima do grande desconhecimento da maioria dos ditos "iniciados" nas coisas ocultas. Os princípios iniciáticos dos pontos riscados, que ficaram indevidamente denominados entre os homens como "Lei da Pemba", quando corretamente manipulados, identificam: a vibração da entidade, o orixá, a falange, subfalange, a legião ou agrupamento, o grau hierárquico, se é um Orixá Menor, Guia ou Protetor, a vibração do astro regente, entre outras identificações necessárias para os trabalhos de magia.


Veja agora um Trecho no Jornal de Umbanda Sagrada, escrito por Rubens Saraceni. Segue:

1 - Os pontos riscados pelos guias espirituais são espaços mágicos cujas funções lhes são dadas por eles ( tipo de campo de força).
2- Os pontos riscados se servem da escrita mágica sagrada simbólica.
3- Dentro desta escrita mágica sagrada, os guias servem-se de signos, símbolos e ondas vibratórias que são realizadoras e, assim que são riscados, são ativados e começam a trabalhar.
4 – Existem milhares de ondas vibratórias que formam telas infinitas e das quais são retirados modelos de símbolos e signos mágicos, os quais assim que são riscados e ativados aqui no plano material, religam-se a elas que lhes darão sustentação nos trabalhos que serão realizados.
5 – Destas telas vibratórias são retirados símbolos e signos, sendo alguns bastante conhecidos e de fácil identificação e interpretação, enquanto a maioria nos são desconhecidos e praticamente impossível de serem identificados e classificados.
6- Os guias espirituais preferem trabalhar com espaços mágicos fechados ou circulares porque assim, suas irradiações ficam contidas dentro do círculo e não interferem com outros espaços mágicos riscados por outros guias dentro do mesmo espaço físico coletivo.
7- A escrita mágica simbólica é tão antiga quanto a humanidade e, tem sido encontrados signos e símbolos em construções antiqüíssimas dentro de túmulos e urnas funerárias com milhares de anos de idade, portanto, esta escrita mágica simbólica, usada pelos guias espirituais, não é propriedade da Umbanda e sim, é um bem colocado a disposição da humanidade pelos seres espirituais superiores e que dela, muitos tem se servido no decorrer dos séculos.
8 – Algumas ordens antiqüíssimas criaram, a partir de signos e símbolos, suas escritas mágicas sagradas e cada uma delas serviu-se ou ainda se serve da sua simbologia, que se não é exclusiva, no entanto, tem significado especial e interpretação própria para cada grupo de usuários deste bem coletivo, colocado a nossa disposição por Deus.
9 – Os guias espirituais de Umbanda serve-se de certa quantidade de símbolos e signos mágicos que aparentemente é limitada a algumas centenas apenas, pois pode-se encontrar pontos riscados de diferentes entidades, a reprodução de símbolos e signos idênticos.
10 – Na Umbanda, manifestam-se através de nomes simbólicos muitos poderes divinos que são em si, mistérios cujas atuações estão voltadas para o crescimento religioso dos seres e dos símbolos riscados pelos guias, nos seus pontos, estão indicando mistérios firmados e ativados por eles.
11 – Até recentemente, todo o mistério da escrita mágica sagrada usada pelos guias espirituais era assunto fechado dentro da Umbanda e o que tínhamos à nossa disposição eram coletâneas de pontos riscados pelos guias, mas que não nos esclarecia muito porque, apesar de sabermos que eram poderosos e capazes de realizar trabalhos, tudo era muito vago e ficavam sempre pairando dúvidas sobre quando utilizá-los, uma vez que eram de uso exclusivo dos guias espirituais e, só raramente, eles autorizavam seus médiuns a riscá-los para que, sem incorporarem, pudessem ajudá-los nas suas necessidades ou dificuldades.
12 - Faltavam-nos muitas informações que pudessem permitir um aprofundamento neste mistério e nos faltava mais informações, que aí sim, o tornaria compreensível por todos.
13 – O que andou escrevendo sobre os pontos riscados pelos guias, incutia receio e medo nas pessoas, principalmente quanto aos pontos riscados das linhas da esquerda, e isso não ajudou em nada o desenvolvimento desta ciência espiritual dentro da Umbanda.
14 – Pelo contrário, alguns autores umbandistas, tal como Emanuel Zespo, chegaram a escrever que só os profundos conhecedores e iniciados na famosíssima, mas desconhecida LEI DE PEMBA é que poderiam riscar pontos e trabalhar com eles. Outros como W. W. da Matta e Silva chegaram ao absurdo de coletar uma ou duas dezenas de signos e dizer que eles sim, eram a genuína LEI DE PEMBA (sa­be-se lá o que isso quer dizer) eram o ponto de raiz, e a partir daí, auto nomearam-se profundos conhecedores da desconhecida, mas muito famosa Lei de Pemba, e começaram a desclassificar os pontos riscados usados pelos guias espirituais desde as primeiras manifestações deles na Umbanda, e que vinham ajudando a dar sustentação aos trabalhos realizados dentro dos centros assim como davam proteção aos seus médiuns.
15 – Graças a estes, a magia do ponto riscado não desapareceu por completo dos centros de Umbanda, fato este que privaria a religião deste importantíssimo instrumento de trabalho.
16 – Quanto aos supostos e pseudo iniciados e auto nomeados “MÂO DE PEMBA” por desconhecerem os verdadeiros fundamentos existentes por trás dos pontos riscados, seus escritos empacaram e não levaram a lugar algum, e muito menos à compreensão e ao desenvolvimento desta ciência divina. Na verdade, eles atrasaram em 50 anos a abertura deste mistério dentro da Umbanda, quase o levando ao esquecimento.
17 – Leiam e releiam estes escritos destes pseudos “mãos de pemba” e verão que eles criaram uma ilusão que não tem fundamento e por 50 anos, ficaram repetindo e afirmando a mesma coisa: “A Lei de Pemba existe mas não pode ser revelada aos não “iniciados”. 
Este texto foi escrito para o Jornal de Umbanda Sagrada de Junho de 2008.

exemplo de pontos riscados,  retirado da internet


terça-feira, 24 de março de 2015

39- NANÃ BURUQUÊ


NA Umbanda, Nanã foi sincretizada com Santa Ana

Senhora do fundo dos rios, a lama que moldou todos os homens. É a Orixá feminina mais velha, pelo que é altamente respeitada. Protege os enfermos desenganados e é patrona dos professores. Senhora da transmutação.

Cor: Roxo ou violeta
Domínios:  ribeirões e mangues
Atuação: Contra perseguições espirituais 
Saudação: Saluba Nana
Dia : Segunda-feira
Elemento: Água
Planta: assa-peixe
Chacra atuante: frontal e cervical
Cor da guia (colar):  roxa e branca

  • Nanã Buruquê - A Razão e a Sabedoria
A Guardiã dos Lagos e Águas Calmas dos Estuários

Como todos os outros orixás, Nanã é uma guardiã que tem seu ponto de força na Natureza. E, como divindade, seu ponto de força localiza-se nos lagos, mangues e rios caudalosos.
De todos os orixás, Nanã é quem tem um mistério dos mais fechados, pois o seu lado negativo ou escuro é habitado por entidades com um poder enorme. Como Guardiã do Ponto de Força da Natureza, os Lagos, sua manifestação é quase imperceptível. Mas, como os próprios lagos, oculta em sua profundeza muitos mistérios.
Aqueles que tentam desvendar esses mistérios, quase nada conseguem, além de ver suas margens.
Nanã, como orixá, é fechada às pesquisas de sua força ativa.
Mesmo quem a tem como orixá de frente, consegue penetrar muito pouco em seus mistérios. Diríamos mesmo que, num lago, quem se aprofundar demais, pode não retornar à tona. Mas aqueles que tomarem as devidas precauções ao penetrar em seus domínios, à medida que forem se aprofundando, irão se modificando, pois como um lago, ela é absorvente. Quem se aprofundou em seus mistérios sofreu uma grande transformação em seu modo de ser e de agir.
Nos lagos e rios caudalosos existe um magnetismo absorvente poderosíssimo. Não emanam energias através do espaço, como os outros pontos de força, mas têm o seu próprio campo magnético absorvente, que varia em torno de sete a setenta e sete metros, a partir de suas margens.
Esta faixa é o seu campo de ação, localizado dentro de seu ponto de força, os lagos. Ali reina a calma absoluta, quebrada apenas pelos animais que vão até lá para se banhar. Tudo ali traz uma calma que não encontramos nos outros pontos de força da Natureza.
Isso é parte do próprio modo de ser de sua guardiã.
Como orixá, sua manifestação é através de movimentos lentos, porque traz em si uma energia e magnetismo muito fortes. Seus movimentos são lentos e cadenciados.
O silêncio é regra de ouro para Nanã. Quem se aprofunda, vê que é melhor observar muito antes de se manifestar sobre um assunto.
Quem tiver a oportunidade de ir à beira de um lago ou rio caudaloso poderá sentir essa calma absorvente.
As pessoas muito agitadas não conseguirão ficar muito tempo à beira das águas calmas. Suas vibrações ativas não se harmonizarão com as vibrações passivas daquelas águas. Mas se tiverem paciência e repetirem esta experiência várias vezes, terão seu campo vibratório descarregado e magnetizado pelas águas calmas, modificando, assim, o próprio modo de ser. Ganharão mais equilíbrio e agirão com mais ponderação.
Tudo isso é Nanã Buruquê, a Guardiã do Ponto de Força da Natureza, os Lagos e Águas Calmas. E também é mais. E a guardiã do ponto de força das águas estagnadas, quando vibrando à esquerda, no seu lado negativo.
A força de atuação dos elementos é distribuída por todo o sistema circulatório de uma pessoa. Quando essas forças são ativadas por aqueles que as conhecem, são de uma ação fulminante. O negativo, ou ação negativa das águas paradas, tira de uma só vez todo o equilíbrio da pessoa, agindo através dos líquidos do organismo humano. São tão fulminantes, porque o corpo humano é formado em sua maior parte por água. Ao atuarem nessa parte do corpo, este se desequilibra e as doenças espirituais se manifestam, trazendo conseqüências perigosas.
  Por tudo isso é que Nanã, a Guardiã do Ponto de Força da Natureza, os Lagos, é tão misteriosa, desconhecida mesmo da maioria dos umbandistas. Não interessa à própria guardiã revelar os seus mistérios. Quem quiser que fique em sua superfície e não tente se aprofundar muito, pois poderá ser tragado para o seu fundo escuro, e não mais voltar à tona.
Nanã também é a guardiã dos estuários dos rios. É onde as águas doces encerram sua longa caminhada rumo ao mar. É quando o rio é absorvido pelo oceano.
 Pelo lado místico, ela é também uma divindade que acompanha o nosso fim na carne, assim como nossa entrada, em espírito, no mundo astral.
 Como cada rio se conduz a um ponto geográfico, nós também nos conduzimos a um ponto astral. Nesta porta de passagem também está Nanã, atuando sobre o nosso carma, conduzindo esta transição com calma, pois não se pode apressar um espírito, sob o risco de ele não tomar conhecimento da sua transição de um plano vibratório a outro. Tudo isso é Nanã, a Guardiã do Ponto de Força da Natureza, os Lagos e Águas Calmas.
 Nanã é também a guardiã do ponto de força da Natureza que absorve as irradiações negativas que se acumulam no espaço, trazidas pelas correntes energéticas que envolvem a crosta terrestre.
Esses pontos de força, por serem absorventes, atraem com o seu magnetismo uma grande parte das forças negativas criadas pelas mentes humanas nos seus momentos de angústia, dor ou ódio. Suas "águas" têm o poder de absorvê-las, e isto é feito de uma forma que não é permitido explicarmos completamente.
Podemos dizer apenas que são pontos de força atrativos e absorventes como para-raios, descarregando todas as irradiações captadas.
Nanã também é um dos orixás mais respeitados no Ritual de Umbanda por se mostrar como a nossa vovó amorosa, sempre paciente com nossas imperfeições como espíritos encarnados tentando trilhar a senda da Luz. A avó que sempre nos acolhe e orienta quando estamos inseguros em relação ao caminho a seguir.
As entidades que se manifestam através do Dom da Incorporação Oracular, e que são regidas pelo Orixá Maior Nanã Buruquê, são grandes conselheiras, sendo que esses conselhos, se ouvidos com atenção e seguidos à risca, nos conduzem a uma calma interior que somente o seu ponto de força na Natureza nos transmite.
Podemos afirmar com toda segurança que o seu ponto de força é absorvente quando orientado para nos auxiliar, e destrutivo, desequilibrador e desarmonizador quando voltado contra nós. Mas sua função na Natureza, como acumulador de água e regenerador da Vida é indiscutível: à volta dos mangues, lagos e rios caudalosos, a vida animal e vegetal é abundante e rica.
Por tudo isso é que nós a saudamos sempre com estas palavras: Salubá, Nanã Buruquê
Texto retirado do livro Umbanda Sagrada de Rubens Saraceni



38- OXUM



OXUM SINCRETIZADA NA UMBANDA COM NOSSA SENHORA APARECIDA
Oxum de Jerry D'oxossi

    Senhora das águas doces, rios e cachoeiras. Mulher de aparência serena, quando a falange está incorporada tem-se a impressão de ter sido uma mulher que muito sofreu.  O filho ou filha de Oxum, a Rainha da Água doce, dona dos rios e das cachoeiras, carrega todo o tipo de Iemanjá. A maternidade é sua grande força, tanto que quando uma mulher tem dificuldade para engravidar, é à Oxum que se pede ajuda (pelo Amalá). A diferença maior é a vaidade. Filho de Oxum ama espelhos (a figura de Oxum carrega um espelho na mão), jóias caras, ouro, é impecável no trajar e não se exibe publicamente sem primeiro cuidar da vestimenta e a mulher do cabelo e da pintura. Normalmente tem uma facilidade muito grande para o choro. É muito sensível a qualquer emoção. Voluptuosas e sensuais, porém mais reservadas que as de Iansã. Elas evitam chocar a opinião pública, à qual dão muita importância. Sob sua aparência graciosa e sedutora, escondem uma vontade muito forte e um grande desejo de ascensão social. Seu maior defeito é o ciúme. 

Cor:  azul escuro.
Guia: contas de cristal  azul escuro. Veste: Roupas e vestidos  azul escuro
Flores: Lírios
Plantas: arnica, camomila, erva cidreira, melissa, ipê, lágrima de N.Senhora.
Amalá: moqueca de peixe e pirão (feito com a cabeça do peixe) 
Local: rios e cachoeiras. (água doce)
Símbolo: o espelho e o coração
Saudação: oraieieô
Número: 6 e o 8
Dia: sábado
Chácara atuante: frontal                

  • Oxum - o Amor Divino
A Guardiã do Ponto de Força Mineral da Natureza

Quando falamos de Oxum, falamos de Amor.
Oxum é o próprio Amor em ação. Sua força é a força do Amor.
 É por causa dela que precisamos nos purificar nas cachoeiras, para nos reequilibrarmos em nosso campo mediúnico.
Oxum é um dos orixás mais fáceis de ser cultuado dentro do Ritual de Umbanda, e por isso é um dos mais procurados pelos umbandistas.
Seu santuário é pequeno, mas sua ação é muito grande.
Quando falamos em Oxum, logo nos vem à mente uma mãe amorosa, ciumenta ou geniosa. Oxum é tudo isso, e muito mais.
Amor, ciúme, gênio forte são qualidades da Orixá Guardiã do Ponto de Força da Natureza, as Cachoeiras.
A mãe ama seus filhos, tem ciúme deles, mas também é geniosa.
Oxum é o sentimento humano do amor, representado pelas águas que caem e continuam o seu curso, alimentando a vida à sua volta. Oxum é a lágrima incontida nos momentos de provação, porque somente através das lágrimas conseguimos liberar a emoção negativa que nos magoa, sufoca ou provoca forte angústia. Só através das lágrimas conseguimos liberar esta energia e continuar nossa caminhada.
Por isso Oxum sempre foi cultuada como uma mãe afetuosa, que ampara seus filhos com seus fluidos regeneradores. Ou como uma esposa ciumenta, que não aceita ser traída nos seus sentimentos. Ou até mesmo como uma irmã geniosa, que procura nos guiar, porque acha que faz o que é melhor para nós.
Isso tudo é Oxum, como entidade que se manifesta através do Dom Oracular. Mas é também a orixá feminina que muito se preocupa com os seus filhos.
Como Orixá, Oxum emociona seus filhos com muita intensidade, pois seus fluidos mexem com os sentimentos muito facilmente.
Por causa desta qualidade ela é tão querida como Orixá. Todos nós nos identificamos com alguma forma de amor. As pessoas que não se afeiçoam à Orixá Oxum geralmente são pessoas frias e calculistas, com um interior árido de sentimentos amorosos.
Oxum também é a "Energia Divina" manifestada no lado espiritual do ponto de força da Natureza que são as cachoeiras. É a Energia do Criador manifestando-se na Natureza; é eficaz em seus efeitos regeneradores sobre a aura humana.
Quem tem sensibilidade forte, pode sentir sua energia e seu magnetismo envolvente quando vai a uma cachoeira, que não precisa ser grande, pois seus fluidos não dependem do volume de águas, mas tão-somente do sentimento de quem se aproxima. Juntamente
com Oxossi, Oxum completa a harmonização das almas que buscam se regenerar ante o Criador, pois toda cachoeira é cercada por vegetações.
São dela os fluidos curadores do astral que agem sobre os espíritos arrependidos dos erros cometidos no passado. É a mãe que aconchega o filho em seus braços, dando-lhe o amor que o protege.
Podemos encontrar Oxum em todos os antigos cultos da Natureza, sempre como a mãe protetora.
As religiões que cultuam Deus sob uma forma abstrata, não vendo na Natureza as muitas formas de Sua manifestação, não vêem o encanto da Natureza Divina manifestada nos fluidos regeneradores que se encontram à nossa disposição. Tornam-se religiões áridas e
não procuram ver a natureza como manifestação do Criador, sempre derramando seus fluidos para, através do extravasamento da nossa alma, purificar os nossos sentimentos negativos.
Assim é o Criador: muitas são Suas moradas, muitas são Suas maneiras de agir sobre nós, centelhas emanadas do Seu íntimo. Oxum é isso também, uma manifestação do Todo sobre todos, reequilibrando com seu amor os espíritos em evolução.
 Quem conhece Oxum não se torna árido em seu interior porque sabe que as lágrimas são o remédio mais eficaz para purificar o espírito dos fluidos negativos que, se não forem neutralizados, podem trazer doenças emocionais e desequilíbrios mentais. Este é um dos mistérios de Oxum.
 Oxum, quando ampara seus filhos, é uma fonte de energia purificadora.
Mas, quando contrariada, é uma fonte de energia desestabilizadora.
Tudo tem sua explicação na Natureza, basta que a procuremos.
As religiões que não cultuam a Natureza como manifestação do Divino e não conhecem os seus pontos de força, tornam-se muito explicativas e muito complicadas. A Natureza não precisa de livros, nem de sábios para explicá-la; ela é um livro aberto para todos que desejam conhecer os seus mistérios.
As grandes nações mercantilistas destruíram os maiores templos divinos já construídos sobre a terra, que são os seus pontos de força, quando interferiram sobre os cultos à Natureza como forma de manifestação do Divino. Isso tornou os seres humanos, religiosamente ativos, em seres passivos. E as forças atuantes de Deus não são passivas! Muito pelo contrário, atuam sobre nós o tempo todo, tentando nos modificar para melhor em nossa caminhada rumo a Ele. Se todos soubessem que ao pé da cachoeira existe um templo natural construído pelo Criador para nos energizar com Seus fluidos benéficos, talvez não precisássemos de tantos sanatórios, hospitais e casas de repouso para acomodar aqueles que se desequilibram mentalmente.
 Toda vez que uma cachoeira é devastada, o planeta adoece um pouco mais, pois uma fonte natural de purificação e energização é destruída. Tudo isso é Oxum: purificação e fortalecimento do nosso espírito e energização de nosso corpo.
Oxum é também uma força atuante sobre o astral.
Para a Guardiã do Ponto de Força da Natureza, as Cachoeiras, nada é estático, tudo que cai de um nível segue o seu curso em outro nível. E isso é o que importa.
Na queda das águas há uma liberação de energia, e na queda de uma alma também há a liberação dos sentimentos que a fizeram cair.
Quando a alma cai e percebe que a sua queda continua, ela chora de desespero. Eis a força cósmica de Oxum agindo sobre os sentimentos humanos sob a forma de lágrimas purificadoras. É por isso que dizemos que as cachoeiras são lágrimas de Olorum caindo para nos purificar.
Mas Oxum também é a força que, quando atuando no negativo dos seres, traz consigo uma força poderosa em seu campo de atuação, podendo desestabilizar quem for o alvo de sua ação.
Quem sofre um choque desses, logo muda o curso de sua vida.
Por isso os mistérios do lado oculto do ponto de força da Natureza, as Cachoeiras, são velados ao máximo. As entidades que atuam através do seu lado negativo são mais para desmanchar "trabalhos" do que para fazê-los. Aos que vão atrás desta força oculta, um aviso: um dia irão chorar aos pés da cachoeira, para lavar com suas lágrimas todo o mal que fizeram.
 Mas aí já não será Oxum agindo e sim o Xangô das Cachoeiras, julgando aqueles que devem ao Criador pelo mau uso das forças do ponto de força da Natureza, as Cachoeiras, e que serão executados por Ogum Yara, o Ogum que auxilia Oxum em seu ponto de força.
Oxum não executa, ela apenas nega a quem erra o fluido vital mineral emanado do seu campo de força. O mundo vibra, as águas vibram, Oxum vibra, nós vibramos com seus fluidos benéficos.
Tudo isso é Oxum, a Guardiã do Ponto de Força da Natureza, as Cachoeiras.

Texto retirado do Livro Umbanda Sagrada, Rubens Saraceni 

 

37- OMULU / OBALUAÊ



Abaluaiê na umbanda é sincretizado com São Lázaro
Abaluaiê de Jerry D'oxossi

 É o deus da varíola, da peste, das doenças da pele e todas as doenças em geral. Senhor da Terra, dos mortos. Omolú e Obaluaê, ( São Roque e São Lázaro respectivamente) são as manifestações velho e o jovem de um mesmo Orixá, chamado Xapanã. Suas cores são o vermelho, o amarelo e o preto, vêm sempre com um saiote de palha da costa e tampa seu rosto com palha também. Seus colares são também de búzios e contas de louça branca  intercaladas com pretas ou, então, brancas intercaladas com pretas e vermelhas.

Cor: Branco, preto ,vermelho, amarelo       
Guia:  As cores acima.
Domínios: Cemitérios
Atuação: Contra doenças e feitiços
Saudação: Atotô- iê ou  Atotô  meu senhor    
Dia: Segunda feira
Chacra atuante : básico ou sacro 
Planta: alfavaca , beldroega , beringela.

Retirado do Blog Lar Umbandista Pai Xango Caboclo Pena Branca

  • Omolu - A Terra Geradora da Vida

Muitos já escreveram sobre o Orixá Omolu. Vamos escrever um pouco também.
Fiel depositário do nosso corpo quando dele se desprende o espírito, este Orixá da Terra é quem nos guarda até que sejamos chamados pelo nosso verdadeiro Senhor, o Criador, após purificarmos nossa alma dos vícios terrenos que muitas vezes nos atrasam em milênios na caminhada rumo a Ele.
Em todas as culturas, os povos têm o seu campo santo, o seu cemitério, como um lugar sagrado. É ali que são devolvidos os corpos já sem vida ao Doador da Vida. Todos os campos santos são respeitados como lugares sagrados que não devem ser profanados.
Todas as civilizações cultuam seus mortos. Nas civilizações já extintas os arqueólogos e historiadores encontram muito que estudar nestes "campos santos".
Por que isso sempre ocorreu?
Porque o cemitério representa o ponto de transição do espírito quando este deixa a matéria.
É por isso que os egípcios e muitos outros povos do passado cuidavam dos seus mortos com tanto zelo. Eles conheciam os mistérios que envolvem a passagem do plano material ao plano espiritual.
Foi esse zelo em relação ao seus "mortos" que permitiu que hoje nós pudéssemos conhecer um pouco mais sobre o seu passado, através dos seus túmulos. Neles estão registradas muito mais coisas a respeito do passado que em qualquer outro lugar, e somente não foram totalmente destruídos por um capricho do tempo, que os preservou.
Assim, informações importantes do passado da humanidade chegaram ao nosso conhecimento através dos campos santos e seus túmulos.
Se alguém achar enterrada uma arma ou uma panela, saberemos para que servem. Mas, para conhecermos um povo, os seus sentimentos, sua religião, sua alma, precisamos saber como se relacionavam com seus mortos.
Muitas civilizações do passado desapareceram por completo por não terem, como os egípcios, monumentos aos mortos que nos mostrassem um pouco do seu modo de ser.
No Egito, a religião buscava zelar pela alma dos que partiam, como nenhum outro povo o fizera até então.
Assim, ficou registrada toda a grandeza de seu povo, sua alma e sua essência. O Livro dos Mortos nos diz muito sobre o que pensavam em relação à vida após a morte. Talvez não diga tudo sobre seu modo de ser e pensar, mas o pouco que conhecemos já nos dá uma noção do seu conhecimento em relação à passagem de um plano para outro. Seu respeito em relação ao corpo sem vida e à alma é revelador do seu conhecimento a respeito dos mistérios sagrados.
Todos os povos tiveram, e têm, o seu campo santo, o seu cemitério.
Podemos olhar um índio que não teve contato com a "civilização" ou um africano, ou um polinésio, ou um nativo de qualquer povo do passado como sendo inculto por não saber ler ou escrever.
Mas não podemos igualar nosso conhecimento ao que eles possuíam em relação à vida no seu lado espiritual ou sobrenatural.
Os mistérios sagrados, como uma chuva do Saber Divino, se abriram para todos os povos ao mesmo tempo, e em todos os lugares.
Os orientais têm o hábito de alimentar seus ancestrais, cultuando seus mortos. Este é um culto baseado num dos mistérios sagrados: o mistério que revela que há vida após a morte. Os mortos merecem o nosso respeito e devem ser lembrados com amor, pois é o nosso amor e respeito para com eles que os auxiliam na sua caminhada rumo ao Criador.
Existem algumas crenças que pregam o absurdo de que após o desencarne os espíritos caem num sono eterno à espera da ressurreição ou do juízo final.
Seus seguidores "despertarão" assustados quando virem os seus corpos numa cova, sem saber que já estão em outro plano vibratório.
Deus não nos proíbe de criar a fantasia que quisermos, e nem de vivê-las. Porém, com o tempo, Ele nos impõe a realidade de Suas leis imutáveis. Podemos tapar os olhos se quisermos e podemos acreditar naquilo que nos ensinam, se assim nos convier. Mas não fugiremos à Lei Imutável de que há vida após a morte; de que, após um período no astral, voltamos à carne, ao corpo material, para continuarmos nossa caminhada rumo ao Criador.
Que creiam, quantos queiram, que tudo acaba com a morte do corpo. Depois levarão um choque para despertar para a verdadeira vida eterna, a existência do espírito, com suas muitas descidas à carne para o seu aperfeiçoamento e crescimento diante de Deus.
Quanto a nós, agora falaremos um pouco sobre Omulu.
Do seu ponto de forças no Campo Santo, ele coordena todas as almas, não importa como. O que importa é que ele tem um campo de ação muito grande como Senhor das Almas. É ele que mantém os espíritos nos "cemitérios" após o desencarne, se assim a Lei ordenar.
Também é o Senhor regente daquilo que nós, criados numa cultura cristã, chamamos de purgatório, ou umbral.
 As regiões escuras do astral negativo do Campo Santo também estão sob sua regência. Ali todos os orixás têm seus subpontos de força. Lá estão Yansã D'Balê, Ogum Megê, Xangô da Terra, Oxossi com seus caboclos das almas, assim como a maior linha de trabalhos espirituais, a linha dos pretos velhos, regida por Obaluaê.
 Nos outros rituais ou religiões, são sempre espíritos amadurecidos que trabalham no recebimento das almas e na sua acomodação nos devidos planos vibratórios. Mas todos são regidos por uma das forças do Criador: Omolu, o Senhor do Ponto de Força do Campo Santo.
Em outras religiões o seu nome muda, mas ele sempre é o mesmo.
Para auxiliá-lo, ele tem à sua direita Ogum Megê, que é o guardião das Passagens, e, à sua esquerda, o Exu Guardião das 7 Porteiras.
 No cruzeiro, tem à sua direita Ogum Megê, e à sua esquerda Yansã D'Balê.
 Não é possível negar aquilo que os videntes nos transmitem.
Ele existe e é atuante. É uma força do mundo astral e, como tal, tem o seu campo de ação muito bem definido.
Quem diz conhecer os mistérios da morte não pode desconhecer o Senhor Omolu, chefe de todos os executores da Lei dentro da Linha das Almas. Ele é o verdadeiro executor das almas que, por vários motivos, caíram, e que têm que purgar os seus erros no astral inferior.
Também é ele quem recolhe o espírito daqueles que, quando na carne, ofenderam o Criador, e que cairão nos planos sem retorno.
Dentro da Linha das Almas, seu poder é imenso.
Os espíritos que, após deixarem o corpo, se recusam a seguir esta Lei Maior, apenas se atrasam já que voltam aos lares ou lugares em que moravam, perturbando os parentes ainda na carne, ou ficam vagando sem rumo no Tempo.
Aqueles que se submetem à Lei encontram o seu lugar no astral e não mais interferem na vida dos que ficaram neste plano. Os que se resignam com o seu estado recebem, no devido tempo, o amparo das falanges ou correntes espirituais que agem sob o comando do Senhor do Campo Santo.
Muitos espíritos que desrespeitaram o Criador são aprisionados pelos executores do carma no Campo Santo. Transformaram-se em escravos de sua própria ignorância em relação aos mistérios sagrados.
A sétima linha da magia é dele. Aqueles que trabalham com magia não o desconhecem, mesmo que sob outro nome. O importante é que toda a magia envolvendo os mortos está em seu reino, o ponto de força dos cemitérios.
Quando alguém vai a um cemitério e acende uma vela para um amigo ou parente que morreu, está fazendo um ato de magia. Quando leva flores também, porque a alma colhe a essência daquilo que está sendo oferecido.
Estes são atos mágicos, porque magia é tudo o que ofertamos ou retiramos do mundo astral.
Quantos não vão pedir o auxílio das almas para solucionar os seus problemas, tanto de ordem material quanto espiritual? E isso em todos os rituais. Não há exceção. Todos fazem isso. Cada um ao seu modo, mas todos fazem!
Não há pecado em pedir auxílio para um fim nobre, porque isso pode servir para despertar o espírito encarnado para o mundo maior. Mas existem aqueles que vão ao cemitério para prejudicar os semelhantes. A estes devemos lembrar que um dia sentirão o peso da Lei, podendo ter suas almas aprisionadas aos planos inferiores dos cemitérios.
As entidades que nos revelam algo dessas regiões dizem que são, juntamente com os lodaçais, as regiões mais sufocantes, onde os espíritos devedores purgam tudo o que devem da forma mais horrível que há.
Uma pergunta apenas: Será que muitos desses que hoje estão na carne para sua evolução já não conheceram essas regiões em outros tempos, e por isso tanto falam contra os rituais que cultuam os ancestrais e a Natureza?
 Quem sabe, não? Quem condena de forma inconseqüente é porque conhece, ainda que não saiba de que maneira. A "pele de cordeiro" oculta muitos que foram tiranos em outras vidas. Abençoada "pele de cordeiro"! Bendito corpo físico! Sagrada é a Lei do Doador da Vida que, para nossa evolução, oculta de nós os erros que cometemos contra as Suas leis imutáveis, ou mesmo, em nome delas.
Os que ganham dinheiro usando Seu santo nome, um dia irão conhecer quem é o Senhor Omolu. É ele quem cuida dos que caíram e ficaram para trás, até que o Pai Eterno lhes seja generoso e venha resgatá-los das Trevas para uma nova oportunidade evolutiva.
O Criador não esquece de suas criaturas! Apenas as confina um pouco para que, através da dor e do sofrimento, possam olhá-Lo com mais respeito e amor, mas não com temor.
Os orixás que são cultuados, tanto na Umbanda quanto no Candomblé, ou no Ritual Africano Puro, são os guardiões dos pontos de força da Natureza.
A essência é sempre a mesma, o que muda são os nomes ou as formas.
As atribuições de um orixá são encontradas nos deuses gregos, nos anjos judaico-cristãos, ou no Brasil pré-colonial.
Não importa onde você esteja vivendo, lá existe um Senhor dos Mortos, lá está Omulu!

Texto retirado do Livro Umbanda Sagrada , autor Rubens Saraceni

OMULU